Com corte de verbas fogo destrói Museu Nacional e 20 milhões de objetos e documentos
Fonte: Zamkers
Publicado em 04/09/2018 ás 16:24:10

Em mais um trágico domingo, fogo destrói o Museu Nacional e mais de 20 milhões de documentos e objetos. O incêndio durou mais de 6 horas e ainda assim o Corpo de Bombeiros do Rio de Janeiro não conseguiu nesse período conter o fogo a tempo de salvar parte da memória nacional e boa parte da memória do mundo.

O Museu Nacional foi criado na época do Império por D. João VI há mais de 200 anos atrás e foi a primeira instituição científica do Brasil.

O museu não é apenas um prédio ou o palácio onde viveu a família imperial e o local onde foi assinada a Carta de Independência do Brasil, não é um museu comum, trata-se de um complexo uma enorme área que abrigava o maior acervo histórico América Latina e um dos maiores do mundo, com peças, objetos, documentos que datavam de várias partes do mundo.

O que queimou

É importante que os brasileiros saibam o que queimou, então preparamos uma pequena lista exemplificativa, já que não seria possível descrever 20 milhões de objetos.

Ali estavam:

  • Objetos que sobreviveram à destruição de Pompeia;
  • O esqueleto do Maxakalisaurus topai – o dinoprata, primeiro dinossauro de grande porte já montado no Brasil;
  • A Lei Aurea e documentos da abolição da escravidão;
  • Maior acervo de documentos e artefatos de povos e línguas indígenas do Mundo;
  • A sala dos dinossauros – a maior coleção de fósseis de dinossauros da América Latina;
  • Objetos e documentos relativos a primeira Constituição Brasileira;
  • O meteorito do Bendegó, o maior já encontrado no Brasil (resistiu ao fogo);
  • Uma coleção de vasos gregos e etruscos;
  • Uma coleção de múmias egípcias;
  • O crânio de Luzia, a “primeira brasileira” fóssil que data de 12.500 anos a 13.000 anos;

O Museu é ligado a UFRJ e vem passando por dificuldades geradas pelo corte do orçamento para sua manutenção, sobretudo, após o ano de 2016 e aprovação da PEC 55, projeto defendido pelo governo Temer (MDB), que ficou conhecido como PEC da morte. “De fato, entre outras tantas vítimas e mortos, morreu hoje o museu nacional vítima do descaso desse governo e da incompetência das forças de segurança do Rio de Janeiro. Como é que você tem notícia em rede nacional da queima do maior acervo histórico da América Latina, um complexo gigantesco e o governo envia apenas 80 bombeiros para apagar o fogo, e o pior sem os equipamentos de contingência necessária. Essa foi uma morte anuncia”, afirmou, com voz embargada e às lagrimas, um dos funcionários do museu que não quis se identificar.

Com a intervenção no Estado do Rio de Janeiro os bombeiros e a polícia militar passaram a estar subordinados ao governo federal enquanto durar a intervenção no Rio de Janeiro, entretanto, além de consumir vultuoso orçamento a intervenção federal no Rio de Janeiro não apresentou resultados positivos desde sua decretação.

O funcionário nos revelou que ao ver a notícia pela TV deixou seu dia de descanso para tentar ajudar e foi impedido pela Polícia Militar, que também impediu a entrada de outras pessoas.

A princesa Isabel, que outorgou a Lei Aurea, abolindo a escravidão, brincava quando criança no Palácio antes de ser convertido em museu. Outros funcionários do museu conseguiram entrar e ajudar os bombeiros

Alertas

Em entrevista concedida a folha de São Paulo, o diretor do Museu Nacional, Alexander Kellner, cobrou a responsabilidade do governo federal na alocação de recursos para o museu. Em maio, antes da comemoração do bicentenário, ele já alertava sobre as precárias condições do edifício e seus riscos, quando criticou o governo federal pela falta de verbas.

Há 5 meses atrás, uma das salas mais populares, foi interditada após um ataque de cupins, o museu conseguiu combater a praga e reabrir a sala após uma campanha de financiamento coletivo na internet.

Durante o bicentenário, sensibilizados com a situação do museu e o fechamento de mais de 2/3 de suas salas de exposições o BNDES celebrou um contrato com o Museu Nacional (em junho), para investir na sua restauração, mas não houve tempo a primeira parcela de recursos seria liberada em outubro para manutenção de emergência. Há mais de 2 anos o diretor do museu vinha alertando para falta e recursos, problemas e necessidades do museu, apontando o corte de verbas e a falta de recursos para reparar todo complexo do Museu Nacional. Além do contrato com o BNDES o Museu tinha expectativa de acordos que iriam viabilizar a abertura de 5 salas e exposições em 2019.

Veja planta fornecida pelo Museu Nacional e disponibilizada pela Folha de São Paulo abaixo.

Prejuízos de outros museus do mundo

Não foram apenas peças do acervo do Museu Nacional que se perderam nas chamas, haviam ali milhares de peças de outros museus e centro de pesquisas, algumas emprestadas por acordos celebrados entre museus.

Agora é tarde

Após o incêndio, o Ministro da Educação Rossieli Soares da Silva, afirmou a equipe do site uol que: “o governo federal deverá liberar recursos emergenciais”, mas não citou valores, nem quando deverão ser disponibilizados.

Com Temer Museu Nacional foi à ruína

Cortes das bolsas, falta de investimentos básicos, cortes de verbas do museu e de tantos outros espaços públicos, que assim como esse correm o risco de morrer.

Repercussão na imprensa internacional

Le Monde: “200 anos de história do Brasil foram consumidos pelo fogo”

TV France: “Tragédia para a cultura”

Le Figaro: “Consternação” – Título de vídeo divulgado sobre o incêndio

Libération: destacou a indignação de estudantes, professores, pesquisadores e populares.

El País: destacou a falta de verbas necessárias para manutenção do local

The Guardian: “O incêndio é uma perda ‘incalculável’”.

Manifestação

Começou há pouco mais de 2 horas manifestação que contou com milhares de pessoas na Quinta da Boa Vista em frente ao Museu. Alguns manifestantes deram um abraço simbólico na área do Museu Nacional.

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