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Fazenda de Canarana faz cultivo experimental de Trigo Mourisco

Fonte: Lavousier Machry e Rafael Govari. | 18/05/2020 as 15:59

Saindo de Canarana-MT, pela MT-109, após 45 quilômetros de estrada de chão, num percurso de aproximadamente uma hora, pode-se avistar a entrada de uma das propriedades do Grupo Gatto, a fazenda Santa Carmem. Ali, em meio a tradicional soja da primeira safra e o milho de segunda safra, uma lavoura se destaca das demais da propriedade e de todas as da região: São 44 hectares de trigo mourisco em pleno bioma cerrado.

O Grupo Gatto, além de Canarana, possui outras propriedades no Estado de Mato Grosso e o cultivo experimental do cereal já está no terceiro ano. O trigo mourisco ou trigo sarraceno, é uma espécie de planta originária da Ásia Central que se difere quase que completamente do trigo comum. Os grãos também são usados na produção de farinha, mas com um detalhe importante, não contém glúten.

A fazenda de Canarana é gerenciada pelo administrador Juarez Gatto (52), que conta para a AGRNotícias que achou estranha, no início, a ideia de plantar trigo no Araguaia Mato-grossense, mas que, também, entendeu a ideia como uma desafio. “Segundo nos explicaram, ele é um bom reciclador de fósforo para o solo. Ele não é um trigo que nem do Rio Grande do Sul, é diferente. Dá umas cachopinha, com um grãozinho torto, triangular”, explica Juarez.

Por não conter glúten, essa espécie de trigo é altamente indicada para pessoas com doença celíaca e alergia ou intolerância ao glúten. As plantas do mourisco apresentam caule preto, com folhas alternadas, podendo chegar a 60 cm de altura. As flores são esverdeadas e brancas.

Cultivo Experimental

A fazenda Santa Carmem possui uma área de lavoura de 4.200 hectares, coberta quase que totalmente pela soja na primeira safra. Na segunda safra, ou safrinha, com ciclo inicial nos meses de fevereiro e março, parte da área é destinada ao milho, parte à culturas de cobertura, e parte para o cultivo experimental. O cultivo do trigo mourisco está sendo testado em três propriedades do grupo Gatto.

“Aqui ainda não tem se mostrado com um destaque grande. Na fazenda de Rondonópolis-MT, por exemplo, já conseguiram um resultado melhor. {…} Ainda não conseguimos acertar talvez a época de plantio. Um ano plantamos meio tarde, aí na seca ele ficou baixo. Um ano plantamos cedo, achamos que choveu demais e aí a flor não vingava. Esse ano plantamos uma época mais intermediária. Então a gente está descobrindo ainda”, disse Juarez.

Lavoura do Trigo Mourisco ocupa 44 hectares na propriedade.

Em 2020, o trigo foi semeado no dia 15 de março. De ciclo curto, entre 75 e 80 dias para a colheita, o cultivo do mourisco não necessita de maquinários específicos, apenas regulagem da plantadeira e colheitadeira utilizada para a soja. Já chegaram, em Canarana a colher 300 quilos por hectare do cereal. “Em Rondonópolis, logo no primeiro ano, foram quase 800 quilos por hectares”, explica Juarez, mostrando que o cultivo ainda precisa de mais safras de testes. Em regiões consolidadas no cultivo do trigo mourisco, com utilização de irrigação, é possível ultrapassar os 3.000 quilos por hectare.

Todo o trigo colhido nas propriedades do Grupo é utilizado como semente. Juarez Gatto explica que em cada propriedade está tendo que ser estudada a época certa de dessecação, de aplicação de defensivos, de plantio. Em 2020, o trigo foi semeado em Canarana, por exemplo, sem a adição de adubo e foram realizadas três aplicações de inseticidas, para combater o percevejo na lavoura.

Consórcio de Culturas

O cultivo do trigo mourisco, embora experimental, já se mostrou pouco efetivo no volume de matéria orgânica deixada no solo para o plantio direto da soja na safra seguinte. “A gente também tem usado ele, então, como consórcio com outras culturas para fazer cobertura”.

Culturas de cobertura reduzem a infestação de plantas daninhas, aumentam a retenção de nutrientes no solo, bem como protege-o da erosão. Na propriedade, vários testes estão sendo realizados. Um dos resultados mais efetivos até então, se mostrou no consórcio entre nabo forrageiro, trigo mourisco, crotalária e braquiária.

A ideia, segundo Juarez, é continuar experimentando a cultura do trigo mourisco e sua utilização no consórcio com outros cultivos. “A tendência, após o resultados desse ano, é ir testando e melhorando até identificar as melhores condições para a cultura na região”, conclui Juarez.

Para a AGRNotícias, Lavousier Machry e Rafael Govari.

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